Pesquisa divulgada ontem pela ONG internacional Centro pelo Direito à Moradia contra Despejos (Cohre) informa que as mulheres vítimas de violência doméstica na América Latina se submetem aos maus-tratos porque não têm dinheiro para sobreviver sem a ajuda dos companheiros, maridos e namorados. No Brasil, 24% das mulheres entrevistadas disseram que, apesar das agressões de que são vítimas, não se separam porque não têm como se sustentar. O estudo mostra ainda que uma em cada quatro brasileiras sofre com a violência doméstica e que uma mulher é atacada no Brasil a cada 15 segundos.
O relatório analisa a violência contra a mulher no Brasil, na Argentina e na Colômbia e afirma que a “falta de acesso a uma moradia adequada, incluindo refúgios para mulheres que sofrem maus-tratos, impede que as vítimas possam escapar de seus agressores”. Segundo o documento, “a dependência econômica aparece como a primeira causa mencionada pelas mulheres dos três países como o principal obstáculo para romper uma relação violenta”.
No Brasil, 70% das vítimas de violência foram agredidas dentro de casa e, em 40% dos casos, houve lesões graves. Das mulheres assassinadas no país, 70% sofreram agressões domésticas. A ONG informa ainda que esses problemas afetam, principalmente, as mulheres pobres que vivem em comunidades carentes.
A maior parte das vítimas não exerce atividade profissional fora de casa. No Brasil, 27% das entrevistadas disseram que se dedicam ao lar. Na Argentina e na Colômbia, 25% das mulheres se declararam donas de casa. Algumas delas afirmaram que não têm outras atividades profissionais por desejo dos maridos, companheiros e namorados.
O relatório não diz quantas mulheres foram entrevistadas. Informa que dezenas de vítimas de violência doméstica foram ouvidas em Porto Alegre (RS) e nas capitais da Argentina, Buenos Aires, e da Colômbia, Bogotá.
Fonte: Brasilia Confidencial

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