domingo, 22 de maio de 2011

So os verdes param locomotiva de Mato Grosso

cidade de Sorriso é a maior produtora de soja do mundo em quantidade e qualidade.

Sorriso fica a 420 km ao Norte de Cuiabá.

Foi fundada há 25 anos, tem 60 mil habitantes e o melhor IDH de Mato Grosso.

Para chegar dali ao Porto de Paranaguá, é preciso percorrer 2.300 km.

E olha que, desde o início do ano, a BR-163 esta ótima, até Corumbá.

O problema é em direção ao Norte, na direção do ponto extremo no Pará, o porto fluvial de Santarém.

Falta asfaltar 400 km.

E a presidenta Dilma se comprometeu a concluir a obra até dezembro do ano que vem.

Corre ao lado de Sorriso um rio afluente do Tapajós: o Teles Pires.

O sonho do produtor da região – que inclui, por exemplo, a dinâmica Sinop – é fazer o transporte fluvial: Teles Pires, Tapajós, Amazonas, e o mundo.

Seria trocar os 2.400 km até Paranaguá, em cima de um caminhão – que queima óleo e polui – por 1.300 km em chatas.

O Ministério dos Transportes – o DNIT – contratou técnicos para estudar a hidrovia.

O balanço energético seria impressionante.

A mesma carga custa a metade na ferrovia do que custa na rodovia.

E na hidrovia custa 1/10 do que custa na rodovia.

Essa hidrovia não está no PAC.

Mas enfrenta desde já a oposição dos ambientalistas.

Segundo o produtor Claudio Zancanaro, os ambientalistas temem pelo equilíbrio da fauna e da mata ribeirinha.

( É mais ou menos assim: o tráfego de chatas no rio pode despertar os macacos.

Como a Blá-BláRina, que quase impede a construção de Santo Antonio e Jirau por causa do acasalamento dos bagres.)

Num passeio sobre a região de Sorriso, num Navajo do Zancanaro, é possível perceber, com facilidade:

Nao há mais espaço disponível para plantar.

Os empresários tem que investir em produtividade, em equilíbrio ecológico e naquilo que os economistas chamam de “agregar valor”.

Além de produzir e esmagar soja e milho, empacotar soja e milho sob a forma de aves e suínos.

E, progressivamente, peixes.

Lá de cima é fácil perceber como se respeita ali o equilíbrio ambiental.

As áreas de proteção ambiental, a beira dos rios totalmente preservada.

A Blá-BláRina, ali, não abriria o bico.

Não sei como foi a ocupação, quando os gaúchos de Passo Fundo começaram a chegar ali nos anos 70 do século passado.

Devem ter feito um estrago.

Mas, aprenderam, segundo Zancanaro, que preservar o meio ambiente é preservar a si próprio, o seu negócio, o patrimônio da família.

Hoje, Sorriso é o maior produtor de suínos de Mato Grosso.

E é um negócio em expansão acelerada.

Conheci Paulo Lucion, presidente da Associação dos Criadores e Suínos de Mato Grosso, Acrismat.

Ele é pioneiro na produção de suinos com total auto-suficiência energética.

Do próprio suíno sai o metano que faz a fazenda, a criação e a indústria girarem.

Neste domingo, ele embarca para a China – a presidente acabou de abrir o mercado de suinos brasileiros para a China – com a intenção de vender suinos – e o conceito de auto-suficiência energética.

( E ainda dizem que o Brasil vai ser, apenas, um exportador de commodity. Se os colonistas (*) do PiG (**) soubessem o que tem de tecnologia e pesquisa e PhD num pernil – magro – de porco com uma cervejinha estupidamente gelada … !)

Sorriso aprendeu rapido: dez caminhões de milho equivalem a três caminhoes de carne.

Tudo isso se passa no cerrado, onde há duas safras por ano, por obra de brasileiros anônimos da NASA nacional, a Embrapa.

E, agora, lá de cima ja é possível ver os tanques de viveiros de peixe – tambaqui, pintado, pirarucu -, tudo alimentado à base de soja e milho.

E muita tecnologia da Embrapa.

O que falta ?, pergunto ao Lucion e ao Zancaro.

Radicalizar a produtividade com um ganho significativo no transporte.

E qual o maior obstáculo, agora que as obras do PAC I e II começam a se materializar ?

São as ONGS , dizem os dois.

O raciocínio é de Zancanaro:

O que sai mais barato para o estrangeiro ?

Aumentar a produtividade de seu produtor ou gastar meia dúzia de trocados com as ONGS?

Financiar as ONGs e reduzir a competitividade do produtor brasileiro – claro !

É mais barato construir uma moringa de água fresca na porta do Congresso do que atualizar a agricultura americana.

O subsidio dói, aumenta o déficit americano.

Ainda mais que, progressivamente, a agricultura brasileira se torna mais competitiva que a americana.

Ali, Sorriso está em cima de uma mesa de bilhar – o Chapadão do Parecis, que vai de Paranatinga a Rondônia – o maior chapadão agriculturavel do mundo, em que apenas 23% das terras estão plantadas.

Tem terra, água, sol e empresário competente.

Para abater esse pessoal de Sorriso só a golpes de chá verde.
fonte-conversa afiada

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