Neste final de semana acontecem três grandes convenções partidárias nacionais. A de Dilma Rousseff que se realiza com o PT unido em torno de sua candidata, com apoio do governo, dos partidos aliados e do presidente da República. Uma candidata que já tem um vice definido, o deputado Michel Temer; e homologada em meio a uma pré-campanha até agora sem crises – a não ser as que a mídia tentou criar a partir de factóides tucanos como a farsa do Dossiê Serra. É, dentre todas as candidaturas, a que reúne maior número de partidos em aliança – e o maior número de legendas numa coligação na história das disputas pela presidência da República em eleições diretas. Em alguns poucos casos a composição da coligação varia de Estado para Estado, mas sempre para somar, para acrescentar partidos que, em outras unidades de federação estejam integrando outras coligações.
A pouco menos de quatro meses do 1º turno das eleições, Dilma passa pela convenção oficial em condição de empate técnico com o principal adversário, o tucano José Serra – nas últimas pesquisas tinha uma média de 37% dos votos – mas todas essas sondagens mostram seu crescimento contínuo em todas as faixas da população, níveis de instrução e de renda, Estados e regiões do país. São levantamentos que apontam, ainda, o aumento do grau de conhecimento do eleitor em relação à Dilma, de que ela é a candidata do governo e do presidente Lula – e à medida que isso sobe aumenta a adesão a ela e seus percentuais nas pesquisas espontâneas, enquanto cai sua taxa de rejeição.
A outra convenção deste fim de semana é a nacional do PMDB, que também ocorre em Brasília, para homologar a aliança nacional do partido com o PT e a indicação de Michel Temer para vice da Dilma, e a decisão de que o partido não terá candidato próprio ao Planalto. Não há chances de vingar a tese da candidatura própria, que seria a do ex-governador Roberto Requião, inscrito pelo senador Pedro Simon, até porque o que Requião quer mesmo é ser candidato ao Senado.
A terceira convenção do fim de semana é a nacional do PSDB em Salvador, para homologar a candidatura Serra. Uma candidatura em situação oposta à de Dilma. Em crise, com o candidato sem propostas, sem rumo, sem metas, sem programa de governo e sem vice. Serra tornou-se um franco atirador. Às vezes lança um tema no ar, a cada dia, outras, fica semanas explorando um tema que não tem nada a ver – ou pelo menos não requereria uma semana de discussão como o tráfico de drogas, ataques à Bolívia e ao Mercosul, independência e autonomia do BC, etc. É claramente um candidato em busca de um discurso que empolgue ou emplaque junto ao eleitor. Serra há um ano e meio aparece empacado ou cai continuamente nas pesquisas. Acabou seu recall por ter disputado eleições em 2002, 2004 e 2006 e agora está empatado com Dilma.
O candidato tucano não conseguiu agregar mais partidos à sua coligação básica, PSDB-DEM-PPS, salvo em um ou outro Estado uma legenda desgarrada, tipo o PV no Rio, ou o PMDB quercista de SP. O PPS, insignificante, nunca existiu politicamente e eleitoralmente. E quem tem o desgastado DEM ao seu lado, não tem um apoio, tem um peso, um container que o próprio Serra gostaria de se livrar de carregar. Além disso, não tem vice – salvo grande surpresa neste sábado, a escolha ficou para depois da convenção. Examina nove currículos: dos senadores tucanos Tasso Jereissati (CE), Sérgio Guerra (PE) e Álvaro Dias (PR); do deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), senador Agripino Maia (DEM-RN) e da ex-vice-governadora do Pará, Valéria Pires Franco (DEM); do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) e do ex-presidente Itamar Franco (PPS). Tanta opção porque o vice de sua preferência e sonhos, o governador de Brasília, José Roberto Arruda, naufragou no escândalo do DEM-DF e nos dois meses em que ficou preso em cela da PF.
Fonte-Zé Dirceu
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